NaNoWriMo 2011

Foto do pergaminho de Davide Guglielmo.

NaNoWriMo” é uma abreviação de (traduzido do nome original em inglês) “Mês de redação de romances nacional”. Acredito que deveriam atualizar para “‘Inter’nanowrimo”, mas acho que o nome pegou. Enfim. O objetivo é escrever um livro de, no mínimo, 50.000 palavras (PALAVRAS, não LETRAS) em um mês. Parece fácil, mas para iniciantes pode ser uma tarefa extenuante!

Eu queria que, na “minha época”, existisse o NaNoWriMo. Seria aquele empurrãozinho que eu precisava para ter começado a escrever mais cedo, afinal eu sempre tive vontade, mas esperava o empurrão inicial de amigos/família/etc, o que, no meu caso, nunca aconteceu. Eu mesmo tive que me dar o empurrão ou então eu seria mais um trabalhador genérico infeliz com a vida.

A premissa é muito interessante: você pode escrever sobre o que você quiser, da forma como você quiser. As únicas regras são que você deve digitar o texto no computador (afinal, como você verificaria o seu progresso, e como comprovaria ele, né?) e só se deve começar a escrever no dia 1º de novembro (no caso, às 6 da manhã desse dia, afinal estamos 6 horas à frente do horário oficial – somos do futuro!). Isso é um bom exercício para quem sempre quis escrever, mas nunca encontrou incentivo, ou nunca pintou a “oportunidade”. O legal é que tem milhares de pessoas mundo afora fazendo o mesmo, então a gente não se sente sozinho nesse esforço coletivo.

Eu participo desde 2007. Confesso que, no meu caso, NaNoWriMo mais atrapalha do que ajuda, afinal eu tenho o meu próprio pique, e às vezes o NaNo vinha bem quando eu estava no meio de um livro, o que tornava a concepção de um novo um tanto difícil e na contramão. Por isso, em 2008, 2009 e 2010 eu não cheguei nem nas 10.000 palavras. Em 2007, meu ano de estréia, eu cheguei à impressionante contagem de 280.000 palavras, e foi quando eu redigi um dos livros que eu tenho em mais alta estima, “The Harbinger”, atualmente fora de circulação. Eu redigia por volta de 10.000 a 16.000 palavras por dia, com o pico de 23.000 no meu dia mais produtivo. Fui um dos vencedores, e até hoje guardo o diploma. Sabe como é, a gente acaba se apegando as nossas vitórias pessoais.

Esse ano, com o fim do livro 4! e a postergação do lançamento para o ano que vem (muitas alterações no projeto inicial talvez precisem ser feitas, mas vou deixar para decidir isso no ano que vem), eu estava tendo um daqueles momentos deprimentes em que o autor se vê sem um propósito, visto que um livro está chegando ao fim (um enorme, com, até agora, 2 anos e meio de produção) e, depois de tanto esforço, por mais que as idéias venham, incessantes, não há vontade de começar um novo projeto porque parece que minha vida é só feita disso – projetos. A prática só acontece nas palavras. Não é inteiramente frustrante, mas abala o entusiasmo, especialmente quando a gente nota que vai envelhecendo e não consegue fazer tudo aquilo que tinha planejado! São tantas coisas que se pode fazer em vida – realmente não dá pra fazer tudo.

Pouco mais de um mês atrás, um amigo me recomendou um jogo de computador. É, desses violentos, quase do tipo matar ou morrer. Nunca fui muito interessado nesse tipo de jogo, e nem tenho coordenação para jogar bem, mas me chamou a atenção que, nesse, era possível jogar como um leão antropomórfico (meio homem). Decidi conferir porque parecia bonito (o jogo), mas estava crente que não jogaria muito por causa da violência e da coordenação necessária para avançar nele.

O que eu testemunhei me deixou perplexo. O jogo é violento, sim, mas incrivelmente envolvente e belo. Os cenários parecem ter vida própria, com uma trilha sonora que te prende no momento e traz aquela tensão que te faz sentir como na pele do personagem mesmo. Isso apenas no estágio inicial, feito de calabouços e túneis subterrâneos escuros e vozes sussurrantes. Ao sair no mundo em si, uma surpresa ainda maior: cidades enormes, cheias de pessoas interagindo umas com as outras, conversando, passeando, trabalhando… com seus horários, casas e locais de trabalho, noite e dia e, o que mais me impressionou, condições climáticas como neve, chuva, dias nublados e neblina. Tudo vibrante, belo, vivo… Interativo! O jogo difere de muitos no sentido em que você não tem um objetivo, você mesmo faz o seu rumo: se você quiser, você pode fazer parte desse mundo e não seguir com a história principal, deixar que outro seja o herói da história, por assim dizer, enquanto você faz outras coisas, como trabalhar ou então explorar o vasto mundo que se estende diante de ti.

Eu já venho explorando o jogo por mais de 100 horas e nem cheguei perto da trama principal. É um mundo tão cheio de vida que é fácil de se submergir nele e sentir como se estivéssemos em outro mundo de fato. Você pode simplesmente sair caminhando pelas estradas e conhecendo os locais, descobrindo novos… e eu apenas viajei por 3/4 de todo o mundo nesse tempo que vim jogando (as partes cobertas de neve não me interessam muito, hehe). Fora isso, as pessoas têm personalidades convincentes, com intrigas, desejos, etc, e muitas vezes você se vê envolvido nas causas delas (principalmente porque o jogador, de fato, precisa de algo para fazer). São tantas pessoas diferentes que eu freqüentemente me via perguntando como conseguiram fazer algo desse tamanho funcionar de uma forma tão envolvente.

Fora o aspeto interativo, a cultura por trás da história é de deixar qualquer um arrebatado, ainda mais um marinheiro de primeira viagem como eu: eles têm a sua própria cultura, seus deuses, e, como há 10 raças diferentes no jogo, cada uma delas tem a sua história, crenças, afetos/desafetos, etc… É tanta informação que se leva um tempo para entender como tudo se conecta e define esse mundo incrível no qual o jogador se vê inserido.

Como vocês podem imaginar, um mundo tão vasto e interativo abre muito espaço para o desenvolvimento de inúmeras histórias, tal qual a vida real. Como se passa em uma época medieval (com algumas… liberdades criativas), isso nos permite desenvolver certos assuntos que ficariam inviáveis em um cenário mais moderno.

Confesso que foi um daqueles “estalos” que a gente tem em que tudo parece fazer sentido num único instante. NaNoWriMo estava se aproximando… eu estava inspirado e com diversas idéias brotando… não perdi tempo. Coloquei o “gaypardo” em espera (ele volta, no mais tardar, em Janeiro de 2012, mas espero poder fazer mais uma tirinha pra Dezembro!) e passei a esboçar o projeto para criar uma história ambientada nesse mundo durante o NaNoWriMo 2011. E mais! Como só escrever uma história já é algo que eu tiro de letra, eu fiz um desafio especial para mim no concurso desse ano: não simplesmente redigir o livro, mas editá-lo, diagramá-lo, ilustrá-lo e lançá-lo! Não tudo em Novembro, claro, mas pelo menos escrever e editar. A finalização vai adentrar Dezembro, tenho certeza, mas quero tê-lo pronto antes do natal!

O projeto já está pronto. Já comecei a diagramação inicial, assim como esboços de ilustrações e o layout geral. Como não vai ser um lançamento oficial, mas sim um “bônus”, não há necessidade de atenção minuciosa a detalhes, e está sendo um processo bem divertido. Na imagem vocês conferem o layout interno e alguns esboços de capa. Fora esses, já defini todo o roteiro e os principais tópicos da história. Tenho 43 folhas A4 de tópicos para desenvolver, o que, acredito, me dará um livro de por volta de 12 capítulos e um número aproximado de 80.000 palavras.

O título “oficial” será “By the lips of the Khajiit” (Pelos lábios do Khajiit – Khajiit sendo a raça de leões antropomórficos do jogo) e cria a mitologia desses gatos de beijarem os recém-falecidos como num gesto de dar significado à vida desses e honrar a existência deles como algo que “fez a diferença”. Como a história se passa no mundo do jogo, há um grande número de eventos/pessoas/raças/lugares que é desconhecido do público em geral. Como eu adoro desafios literários (que envolvam criatividade “de verdade” – não ficar copiando estilos e fazer de conta ser rebuscado como em muitos concursos por aí), a parte mais instigante desse projeto todo é tornar esse mundo acessível e compreensível facilmente para os “não jogadores”, o que, provavelmente, serão a maioria dos meus leitores, senão todos! Acho que estou fazendo um ótimo trabalho nisso. Como auxílio visual, estou fazendo ilustrações de todas as cidades principais, apontando os lugares mais importantes, para que os leitores tenham uma referência visual e não fiquem perdendo tempo tentando imaginar algo que, por certo, conteria detalhes demais para se tornar interessante (“Senhor dos Anéis”, anyone?). Outras descrições eu colocarei no desenrolar da história, sem tornar ela maçante para aqueles que já conhecem o mundo em questão. Então, no final das contas, o livro se torna interessante para ambos os públicos, afinal as ilustrações elucidam aspectos que não são tão claros para os “de fora”, ao passo de que entretêm os “já iniciados”.

A história em si, como de costume, foge à regra e ao senso-comum. Como um ser criativo, para mim é uma regra criar histórias que sejam envolventes, divertidas, mas que carreguem seu próprio tom de inovação e também significado, que faça as pessoas refletirem de forma positiva sobre as suas vidas e o seu propósito no mundo. Por isso, como sempre, vai deixar alguns leitores perplexos no fim, mas o sentimento de que fizeram uma leitura que valeu a pena, por mais que, inicialmente, não faça muito sentido, prevalece. Eu acho que, obrigatoriamente, um romance precisa terminar com uma deixa ao leitor. Ao chegar ao final de livros, inevitavelmente eu me frustrava com a conclusão às vezes aparentemente abrupta das histórias. Algo grandioso e belo às vezes terminado de uma forma “tá bom, pessoal, tenho que parar aqui porque está na hora de lucrar e vender livros – o resto da história vocês imaginam se quiserem, ou então eu faço uma continuação vagabunda e idiota só pra ganhar um pouco mais de dinheiro… é, é isso que vou fazer!” Acho que um bom escritor estende o mundo descrito ao leitor, de forma a criar uma linha tênue entre o mundo real, do leitor, com o mundo fictício, dos personagens. Algo como esse jogo que descrevi a vocês – ele não é meramente um jogo, mas todo esse mundo incrível no qual você pode se inserir e torná-lo “seu”. Leitores precisam de uma deixa para tornar a história “deles” também. E, por mais que leitores preguiçosos dos dias de hoje não compreendam muito bem a minha forma de desenvolver histórias (e de às vezes finalizá-las), acredito que, em algum dia (se o mundo não acabar antes!) esse tipo de história será muito bem valorizada, afinal leva em conta a inteligência do leitor, assim como respeita seus sentimentos e necessidade de se incluir no mundo da história, e não simplesmente ser um expectador.

A forma que fiz isso no 4! foi através de deixas e perguntas ao próprio leitor, fomentando que modifique a história de acordo com o seu próprio ponto de vista (o que torna o protagonista inseguro por boa parte da história, mas envolve o leitor no mundo dele) e, nesse, eu pretendo fazer isso através das ilustrações e “mistérios não resolvidos” (do tipo, personagens agindo de forma ambígua sem uma definição do seu comportamento por parte do autor, deixando aspectos da trama em aberto para considerações que vão além das conclusões iniciais da história, expandindo ela de acordo com os pontos de vista do leitor – tal qual fiz com “Por Um Abraço Seu”). Então, no fim, espero agradar os leitores de uma forma ou de outra.

Para me ajudar nesse projeto, eu estou contando com a ajuda de outro ilustrador, Wenceslau Tomas Jr., um amazonense que já conheço há anos. Ele é fera no traço, mas não trabalha com isso profissionalmente. Felizmente ele topou me ajudar com as ilustrações, visto que estou com os braços machucados e não posso fazer esforço demais. Eu, portanto, vou trabalhar nas ilustrações “ambiente” (dos locais da trama) enquanto que ele vai fazer as temáticas (representando os momentos mais marcantes da história). Valeu Wenceslau! Você realmente salvou a pátria! <3

Assim que o projeto estiver finalizado, ele será distribuído na íntegra em PDF no meu site. Quero disponibilizar uma versão impressa, vendida a preço de custo e envio, mas tenho que conferir com a softhouse se isso não é violação de direitos autorais. Acredito que provavelmente seja, então, caso queiram, as pessoas podem fazer upload dos arquivos nas suas contas do site Lulu.com e produzirem as suas próprias cópias impressas em formato de livro. Independentemente de como aconteça, eu vou fazer um passo a passo explicando tudo. De qualquer forma, é um trabalho que faço por amor às letras. Posso não fazer dinheiro, mas a satisfação que isso me dá nenhum dinheiro compra, posso garantir! E aposto que vocês vão gostar do resultado também!

Agüentem firme! Espero logo ter bons resultados para compartilhar com vocês!

Grande abraço e até breve,
Vagner Albino

P.S.: Esse projeto será desenvolvido em INGLÊS.

P.S.: Quer participar do NaNoWriMo? Clica AQUI. O site é em Inglês, mas é fácil de navegar. Tem a comunidade Brasileira lá, você pode acessar ela diretamente através DESSE LINK.

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