DIA 833 – A força que nunca seca
Imagem 3D de Kostya Kisleyko.
De tantos inúmeros, infinitos e inacabáveis talentos mundo afora, eu também quero ser um desses. Mas não basta querer. Eu sei que posso ser um desses. A capacidade, eu tenho. Está mais do que provado (para mim mesmo e para todos que queiram ver) que, não importa que tipo de projeto eu tenha em mente, eu sou capaz de executar (artisticamente falando, é claro). Aprendi cedo que minha expressividade não fazia diferença no mundo. Aceitar que somos apenas mais um ser vivo no planeta às vezes pode ser uma dura lição, mas, desse ato de humildade, nasce a certeza de que não há algo que não se possa fazer, lugar que não se possa alcançar, afinal somos todos iguais na essência do ser.
Sempre me surpreendi ao testemunhar formas de arte rendendo algum dinheiro. Enquanto que muitos passam uma vida inteira apenas sonhando em viver da arte, alguns conseguem fazer rios de dinheiro. Paulo Coelho é o único bom exemplo Brasileiro na literatura, creio. A maioria dos outros escritores pode até ter uma vida razoável, mas está longe de fazer fortunas e viver no luxo abundante digno de muitos políticos do nosso país (e de muitos outros mundo afora também – corrupção, afinal, não é uma exclusividade brasileira como muitos parecem sugerir por aí).
É inegável que a música é a forma de arte mais popular aqui no Brasil. Justifica-se: somos um povo alegre, que curte a vida e gosta de fazer festa – a música se torna a preferida naturalmente. Acho que, então, vem a televisão com as suas novelas e séries e bem lá atrás, artes gráficas. Esquecido no meio do caminho está a literatura. Tem-se a impressão de que, no passado, a arte era muito mais valorizada: tínhamos diversos poetas, pintores, músicos… Será? Não consigo lembrar de nenhum lançamento literário recente que tenha se tornado um marco na nossa história. Parece tudo tão comercial e superficial. Livros espíritas vendem aos montes, assim como os de auto-ajuda (e até mesmo os técnicos) mas o aspecto artístico, nesses, muitas vezes é nulo. Escreve-se para descrever um acontecido, ou então transmitir algum conhecimento. Algo belo, expressivo, cheio de simbologias, significados e sentimentos profundos… qual foi a última vez que a gente viu? Parece que esse tipo de coisa parou lá, com nossos escritores antigos e consagrados.
Não que se deva imitar o que eles faziam. Não mesmo. Eu sou um ávido lutador contra esse tipo de coisa. Cópia não é arte. Criar, expressar, isso sim, é fazer arte, é construir, inovar e expressar, buscando desenvolver e expandir a realidade de formas únicas, capazes de trazer a humanidade a um entendimento mútuo e, portanto uma visão mais abrangente da situação de ser humano. Claro que um livro não vai mudar o mundo, mas pelo menos pode inspirar indivíduos a alcançar a realização pessoal, ou então, pelo menos, não se sentirem tão sozinhos e abandonados em suas próprias convicções não materiais e financeiras. Afinal é sempre mais difícil encontrarmos companheiros para os assuntos do coração.
Eu estou chegando lá. Eu quero ser um marco na literatura do Brasil. Não para ficar na história, mas porque estamos tão deficientes de um trabalho artístico honesto e significativo que não tenha seus fundamentos baseados no lucro abundante e – de certa forma – fácil. Eu tenho essa inspiração, sinceridade e vontade inabalável de fazer minha contribuição única para um país tão belo e vasto, mas, muitas vezes, também tão negligenciado pelos seus habitantes que sonham com mundos cor-de-rosa em terras estrangeiras que, na verdade, são tão vazias de significado, importância e vida como julgam ser o Brasil.
Os trabalhos artísticos belos, expressivos e significativos na história da humanidade foram todos criados com uma paixão brutal, devastadora, queimando no coração e alma daqueles que os criaram. Hoje tudo é diferente, impessoal, moderno, distante e frio, mas isso não quer dizer que a expressividade morreu. Ela precisa ser reinventada. A literatura precisa renascer nessa era moderna, assim como a arte como um todo, e voltar a expressar ao mundo aquilo que ligeiramente estamos esquecendo de nutrir – um tempo para nós mesmos para alentar e compartilhar o carinho.
O sucesso é sempre relativo. Só de poder desenvolver meus projetos artísticos como sempre desejei desenvolvê-los, já me sinto como um escritor de sucesso. Tenho uma boa percepção e sei criar trabalhos de bom gosto, tanto no sentido de sua expressividade quanto no estético. Mas se o dinheiro vier acompanhado do reconhecimento, não pretendo deixar isso se tornar em um aborrecimento: fama e exposição são um aspecto desfavorável da ascensão numa carreira que busca se sustentar com sua criatividade, mas o dinheiro pode vir com um custo alto na originalidade, pois ele alimenta a frieza e o materialismo.
Quero muito ganhar muito dinheiro como escritor, sim, mas não para mim mesmo. Não sonho com mansões, carros caros e uma quantidade infinita de futilidades que não servirão para nada além de me ocultar e me distrair dos elementos que realmente definem meu ser, mas sim usar esse dinheiro para garantir que espécies que não têm como ganhar o seu próprio sustento para se defender num mundo cada vez mais capitalista sobrevivam e prosperem. Quero muito ganhar bastante dinheiro e redirecionar até mesmo mais da metade do que ganharei para instituições que protejam os animais, em especial os grandes felinos. Claro, o meio ambiente também.
Sempre foi um sonho meu fazer algo importante e fundamental para os animais. Eles sempre me inspiraram tanto na minha vida, me trazendo fôlego, alento e motivação até mesmo quando eu achava que não havia mais nada que pudesse me reerguer. Era uma paixão pela vida mais forte que a própria vontade de continuar vivendo; compreende o paradoxo? É algo que não se explica. E quando alguém faz algo tão grande por nós, algo sem qualquer interesse ou expectativa senão fazer o bem, a gente se sente compelido a retribuir da mesma maneira – é uma questão de honra.
Mas o que poderia um simples humano como eu fazer? Sempre detestei biologia; não suporto ver sangue ou mesmo pensar em agulhas: ser veterinário ou biólogo estava fora de cogitação. Submisso e quieto, nunca seria um bom líder ou defensor da causa dos animais. E por isso mesmo nunca seria um bom político também, capaz de intervir com leis ou recursos em prol desses que me motivaram tanto a ser alguém justo e amável, sereno e pacífico. Leis e lógica também nunca foram meu forte, nem como advogado eu me sairia bem. Ser um administrador de empresas? Longe disso. A única coisa que sempre fui capaz de fazer bem era expressar sentimentos, seja por texto, desenho ou música. Tinha boa sensibilidade e apuro de situações e sentimentos, mas o que eu poderia fazer pelos animais com isso?
Muita coisa também. Cada um faz aquilo que mais tem talento para fazer, é isso que nos dá propósito e nos faz sentir realizados, como seres de significado. Escrevendo histórias belas, eu poderia inspirar as pessoas, compartilhar um sentimento bom e, com isso, nutrir um futuro melhor para todas as espécies. E, de quebra, se eu um dia fosse famoso e ganhasse muito dinheiro, poderia ajuda-los de uma maneira ainda mais marcante e imediata, afinal poucas pessoas de posse se dedicam a investir seu dinheiro em ações do bem, então imagina quantas dessas poucas estariam interessadas em dar dinheiro para espécies que nem sequer poderiam demonstrar gratidão ou retribuir de qualquer outra forma senão sendo eles mesmos e fazendo o que sempre fizeram. A questão é que os outros animais fazem muito por nós, só que, como não é um bem material, a gente dificilmente percebe. E não falo do leite, nem da carne, ou então dos pêlos para casacos e afins, mas dessa inspiração, da motivação, do elo com a vida que representam. Somos animais também, e estamos todos junto nisso. E não importa o que aconteça, estaremos sempre juntos. Muitos humanos podem escolher ignorar essa ligação, mas ela sempre estará lá. E eu quero louvar isso. Já faço isso através de meus trabalhos e, contanto que sempre tenha a chance, vou continuar expandindo isso até quando eu puder, das mais variadas formas que eu conseguir!
O desejo é grande. Eu vou conseguir. NÓS vamos conseguir. Afinal nunca estamos sós: nas conquistas e perdas, estamos juntos, interligados de tantas formas diferentes que é impossível descrever. Vivo ou não, meu lugar na história da literatura brasileira já está garantido. Que isso seja apenas o começo de um futuro glorioso de paz e alegria em que finalmente nos sentiremos tranqüilos e seguros o suficiente para ser essa vida que nos define, sem restrições, nutrindo apenas compaixão, compreensão e apoio aos outros, sejam eles humanos ou não, ao ver um reflexo de nós mesmos em tudo mais que existe.
Um grande abraço cheio de esperança,
Vagner Albino
Que um dia o Brasil tenha muito mais motivos para se orgulhar fora o esporte!
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SOBRE
Vagner Albino é um escritor e ilustrador brasileiro e gaúcho residente em São Leopoldo.
Atualmente está trabalhando em seu oitavo livro, entitulado "4!". A data de lançamento foi postergada para uma data indefinida no primeiro trimestre de 2012. O site do livro com maiores informações pode ser acessado através do endereço www.onumeroquatro.com.
Dentre outras obras já publicadas independentemente, encontra-se um livro infantil, uma série de fantasia, literatura inspiracional e também "teen".
Para atualizações mais freqüentes, visite meu Twitter!O AUTOR – VAGNER ALBINO
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